75. Inquieta Alma
75. Inquieta Alma
Sobre esta música
Inquieta alma, parece calma...
Palpita em sonhos, longe daqui.
Delírio só, ventos risonhos
Voam por mim, voam por mim.
Reforço alado, contra o desgosto
Da dor molhada, nesse meu rosto.
O olhar de perto, azul sem fim,
Desfaz-se a guerra que havia em mim.
A dor que queima, em verso encerra
O meu dilema. Estava certo,
Alma pequena, morre inquieta.
Mas se tem asas, não há problema.
Quanto mais alto, mais se agiganta.
A dor que mata não mais espanta.
O céu desvela o medo escuro,
Nossas cavernas, refúgio espúrio.
Jeito moderno: pura armadilha,
Pensa que é céu, no pleno inferno.
Calor de morte, cara de inverno.
Alma queimada, no mesmo engano,
Voa apressada, profetizando.
Risca poema, nem faz rimando;
A duras penas, parte avisando:
Era um profeta poetizando.
Lara lara lara.
Inquieta alma, parece calma...
Palpita em sonhos, longe daqui.
Delírio só, ventos risonhos
Voam por mim, voam por mim.